sábado, 22 de maio de 2010

Lembranças

Recordo bem da figueira, grande amiga que passou
E, a saudade que deixou ao partir para o Além
Sem dizer nada a ninguém, nem ao menos despedir
Desse longo existir que nos traz viva lembrança
Do bom tempo de criança, que se foi e não voltou

Junto às árvores do quintal, tinha estirpe magistral
De verdadeira rainha, pois, era a fada madrinha
Daquelas de menor porte que tiveram a grande sorte
De serem suas princesas, encantando a natureza
E a brisa do amanhecer, e, fazendo com que a vida
Bem melhor fosse vivida, por quem pôde conhecer.

Teu formato elegante mostrava o grande carinho
Ao suportar cada ninho com tanto zelo e atenção
Doando seu coração, sua sombra e o bom abrigo
A um pássaro amigo, tal a própria descendência
Que só acha na paciência da figura consagrada
Da mãe, a pessoa amada, em suas reminiscências

Há um retrato gravado na memória das gerações
Que tiveram inspirações, quando passaram ali
E acharam junto de ti os caminhos do ideal
Pois, como amiga leal, acolhias com ternura
Toda e qualquer criatura que viesse a teu regaço,
Brindando com um abraço, repleto de emoções

Quantas vezes os teus galhos me serviram de balanço
Buscando em ti o descanso depois de árduo labor
Pra desfrutar do amor que tanto tinhas pra dar
Na doce arte de amar de maneira encantadora
Como a dama sedutora que vai tornar um cupido
Completamente atraído, somente com seu olhar

Para os muitos visitantes, até de outras paragens
Que viam em tuas ramagens o seguro de um abrigo
Ainda davas um figo, com sabor de cortesia
Mas, com ar de quem sabia que o forasteiro voltava
E junto a ti encontrava a aurora de um novo dia

Também aves migratórias, em suas longas viagens
Achavam ali hospedagem, curtidas pelo cansaço
Recebendo o grande abraço da gloriosa anfitriã
Que já na outra manhã, de maneira inteligente
Recebia novamente outro bando de viajantes
Esfomeados, saltitantes, que chegavam de repente

Boa irmã e companheira como conseguiste ser
Não me permite esquecer os gestos e a grandeza
Repletos da singeleza, do carinho e do amor
Que somente o Criador é capaz de compensar
Ao dar-te a paz que mereces, e, aceitar uma prece
De quem ficou a chorar

Por fim, o último adeus à grande amiga figueira
Da família Oliveira, ou se quiser, dos Boeiras
E, também dos agregados, igualmente muito amados,
Que nestas linhas finais, derramam um pranto sincero
Com a alma e o coração, a ela, que foi então
Nossa fonte de alegria, mas, que também certo dia,
Disse adeus pra nunca mais.

Sérgio Luiz de Oliveira


2 comentários:

  1. SO PODIA VIR DE UMA PESSOA ESPECIAL
    VERSOS DE TAMANHA BELEZA
    PARA AQUELA QUE FOI REALEZA
    NAQUELE GRANDE QUINTAL.

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  2. Elaine de Oliveira Campos31 de agosto de 2012 às 12:57

    Que orgulho pertencer a tudo isto!

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