Recordo bem da figueira, grande amiga que passou
E, a saudade que deixou ao partir para o Além
Sem dizer nada a ninguém, nem ao menos despedir
Desse longo existir que nos traz viva lembrança
Do bom tempo de criança, que se foi e não voltou
Junto às árvores do quintal, tinha estirpe magistral
De verdadeira rainha, pois, era a fada madrinha
Daquelas de menor porte que tiveram a grande sorte
De serem suas princesas, encantando a natureza
E a brisa do amanhecer, e, fazendo com que a vida
Bem melhor fosse vivida, por quem pôde conhecer.
Teu formato elegante mostrava o grande carinho
Ao suportar cada ninho com tanto zelo e atenção
Doando seu coração, sua sombra e o bom abrigo
A um pássaro amigo, tal a própria descendência
Que só acha na paciência da figura consagrada
Da mãe, a pessoa amada, em suas reminiscências
Há um retrato gravado na memória das gerações
Que tiveram inspirações, quando passaram ali
E acharam junto de ti os caminhos do ideal
Pois, como amiga leal, acolhias com ternura
Toda e qualquer criatura que viesse a teu regaço,
Brindando com um abraço, repleto de emoções
Quantas vezes os teus galhos me serviram de balanço
Buscando em ti o descanso depois de árduo labor
Pra desfrutar do amor que tanto tinhas pra dar
Na doce arte de amar de maneira encantadora
Como a dama sedutora que vai tornar um cupido
Completamente atraído, somente com seu olhar
Para os muitos visitantes, até de outras paragens
Que viam em tuas ramagens o seguro de um abrigo
Ainda davas um figo, com sabor de cortesia
Mas, com ar de quem sabia que o forasteiro voltava
E junto a ti encontrava a aurora de um novo dia
Também aves migratórias, em suas longas viagens
Achavam ali hospedagem, curtidas pelo cansaço
Recebendo o grande abraço da gloriosa anfitriã
Que já na outra manhã, de maneira inteligente
Recebia novamente outro bando de viajantes
Esfomeados, saltitantes, que chegavam de repente
Boa irmã e companheira como conseguiste ser
Não me permite esquecer os gestos e a grandeza
Repletos da singeleza, do carinho e do amor
Que somente o Criador é capaz de compensar
Ao dar-te a paz que mereces, e, aceitar uma prece
De quem ficou a chorar
Por fim, o último adeus à grande amiga figueira
Da família Oliveira, ou se quiser, dos Boeiras
E, também dos agregados, igualmente muito amados,
Que nestas linhas finais, derramam um pranto sincero
Com a alma e o coração, a ela, que foi então
Nossa fonte de alegria, mas, que também certo dia,
Disse adeus pra nunca mais.
Sérgio Luiz de Oliveira
SO PODIA VIR DE UMA PESSOA ESPECIAL
ResponderExcluirVERSOS DE TAMANHA BELEZA
PARA AQUELA QUE FOI REALEZA
NAQUELE GRANDE QUINTAL.
Que orgulho pertencer a tudo isto!
ResponderExcluir