Terceiro Encontro - Saudação
Peço perdão, pessoal, se a história não lhes agrada
Mas não posso mudar nada daquilo que aconteceu
Por isso mesmo que eu, vou contá-la novamente,
Pois, como diz o ditado, “povo que não tem passado
Não merece ter presente”.
É hoje o terceiro encontro da Família Oliveira
Que fundou Loca Boeira, e a nossa grande heroína
Cujo nome era Angelina, esposa e mãe carinhosa;
Que deixaram esta existência, indo pra outra querência
Onde a vida é cor-de-rosa.
Em matéria de casamento, nosso pai não era afoito
Tinha mais de trinta e oito quando procurou achar
A moça pra acompanhar seu projeto promissor;
Vinte e um tinha Angelina, pouco mais que uma menina
E ele, quase um senhor.
Rogamos que esse casal, princípio da nossa origem
Esteja perto da Virgem, poderosa Mãe de Deus
Que protege os filhos seus, quando se clama por ela;
Guarde bem as suas almas e nos receba com palmas
Quando precisarmos dela.
Seu nome Adelino Gomes, de sobrenome Oliveira
Tinha alcunha de Boeira, que trouxe desde a infância
Recebida como herança, de costumes tradicionais,
Pois, tão forte esse apelido, que foi também transmitido
Aos escravos de seus pais.
Em relação a seu sogro, foi um genro e compadre
Pois aproveitaram o padre, no ofício do casamento
Pra fazer num só momento, o batismo da cunhada;
Foi assim, na mesma leva, que batizaram a tia Eva
Ficando como afilhada.
Moraram na Aldeia Velha, um pequeno povoado
Onde ali foi iniciado o grande grupo que somos
Conservando os cromossomos desse par original;
E, hoje aqui, reunidos, continuamos unidos
Reverenciando o casal.
Repartiram entre seus filhos muito amor e dedicação,
Sendo Sérgio, Mariana e João, Maria, Antonio e Alberto
Que partilharam, por certo, seu carinho familiar;
Mais, Liveira, José, Vicente, que cedo deixaram a gente
Chorando a nos lamentar.
Estariam hoje contentes, nossos velhos ancestrais
Ao saberem, como pais, que hoje temos doutores
Temos muitos professores, sem contar os estudantes
Que são frutos das jornadas que suas mãos calejadas
Executaram bastante.
Foi do trabalho de roça que nove filhos criaram
E a todos ensinaram o dever de cada dia
E, à noite, a Ave Maria, pra que Deus os ajudasse
A ter saúde, honradez, e, algum dinheiro, talvez
Para que nada nos faltasse.
E esta ocasião festiva no Clube Barro Vermelho
Parece até um espelho do que eles mais gostavam
Pois com certeza adoravam ver os filhos tão contentes
Brincando em alguma festa, tão especial como esta
Que reúne os descendentes.
Trago, talvez de nascença, Deus queira, seja verdade
Certa sensibilidade que nossa mãe demonstrava
Quando uma flor ofertava a quem lhe quisesse bem;
Ao dizer com muito orgulho, ela e eu somos de julho,
Sou canceriano, também.
A derradeira das flores foi dada aqui nesta entrada,
Quando bem debilitada, mas seu instinto mantinha,
Trouxe uma rosa branquinha, e, num gesto inesquecível
Entregou, já vacilante, a quem tem nome semelhante
E é também muito sensível.
De repente acho a razão da emoção que me invade
Quando vejo brutalidade imposta a qualquer criança
Não havendo semelhança com a criação que tivemos;
Pois, a mãe, doce mistura, de anjo e de criatura,
Nunca chegou a extremos
A base desta família nasceu na terra dos sonhos
A querida Santo Antonio que não esqueço, jamais
Com seus lindos canaviais, no litoral rio-grandense;
Pois ainda estufo o peito, pra afirmar com respeito
Que também sou patrulhense.
Este termo não se aplica a alguns que estão aqui
De Porto Alegre, Canoas, Gravataí, muita gente nasceu lá
E, também, no Paraná, além dos catarinenses;
Há gente de Ijuí, Sapucaia e Erechim, pra concluirmos, por fim
Que o “mundo” já nos pertence.
Nossa terra tão amada somente lembra doçura
Tem melado, rapadura, cachaça por todo lado
Uma de tom azulado que é quase uma legenda;
Tem o sonho mais gostoso, o arroz mais saboroso
E o Festival da Moenda.
Tem outra coisa bem linda que Deus caprichou na obra
Serpenteando como cobra nos campos de nosso pago
Que vai recebendo afago por onde quer que ele passe
Entre velhos e meninos; me refiro ao Rio dos Sinos
Que é nosso, com muita classe
Logo ali, a poucos passos está a sua nascente
Que logo vira corrente e cresce barbaridade
Levando a prosperidade, noite e dia, sem parar;
Muita cidade abastece, outros rios ele conhece
E juntos correm pro mar
Na verdade tal riqueza nasceu aqui num distrito
Mas alguém ganhou no grito e tirou de Santo Antonio
Esse imenso patrimônio que foi pras bandas de lá;
Sendo assim que se perdeu, e, o que a Natureza deu,
Nós doamos ao Caraá
Também festejamos hoje o segundo ano do Beto
Que merece nosso afeto por sua grande proeza
Mostrando que tem firmeza e quando quer ele pode
Provando ainda esse moço, que sabe agüentar no osso
E honra um fio de bigode
Para encerrar esta prosa eu peço à Virgem, de novo
Que proteja nosso povo e abra o seu manto azul
Sobre o Rio Grande do Sul, em todas suas fronteiras
Rogando, ainda, ao final, a bênção muito especial
Pra todos os Oliveiras
Antonio Luiz de Oliveira/jul/2004
Querido primo Antonio,o Sergio me fez chorar e rir ao mesmo tempo com aquele poema da figueira
ResponderExcluiragora tu com este poema tão lindo que escrevestes, não sabia que fazia parte de uma familia de poetas.
E mais este Blog da Familia Oliveira esta lindooooooooooooooooooooooooooooooooooooo.