sexta-feira, 18 de março de 2016

CONTA E TEMPO

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Conta e Tempo


Deus pede estrita conta de meu tempo. 
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta 
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? 

Para dar minha conta feita a tempo, 
O tempo me foi dado, e não fiz conta
Não quis, sobrando tempo, fazer conta
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo. 

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta, 
Não gasteis vosso tempo em passatempo
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta! 

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo, 
Quando o tempo chegar, de prestar conta 
Chorarão, como eu, o não ter tempo... 

(Este soneto, obra prima do trocadilho, foi escrito no século XVII, por Frei António das Chagas, in 'Antologia Poética' )
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