sábado, 16 de outubro de 2010

Nota de Falecimento

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Noticiamos com profundo pesar o falecimento da nossa querida tia Joaquina, uma das duas últimas irmãs da nossa amada genitora, restando viva de agora em diante, somente a Tia Eponina, que também já ultrapassou um século de vida há muito tempo. O passamento de Tia Joaquina ocorreu em 25 de setembro de 2010, poucos dias antes de completar 104 anos de idade, quando a família já se preparava para comemorar seu aniversário natalício que deveria acontecer no dia 4 deste mês de outubro. Na foto abaixo, colhida em 04 de julho último, aparece ela, a matriarca da família, tendo ao colo um de seus descendentes mais novos:



Havíamos perdido há pouco, também com avançada idade (93 anos), nosso querido Tio Manoel, outra pessoa muito estimada que, juntamente com Tia Joaquina, foi venerada por todos nós, especialmente pelo carinho que deles recebemos. Tio Manoel, exemplo de trabalho e dignidade nas lides da agricultura, atividade principal com que manteve a casa e criou os filhos, reservava sempre algum tempo para elaboração de objetos de carpintaria, artesanatos, etc., além de poeta nato, fazendo versos como ninguém e cantando acompanhado de seu inseparável violão, para alegria de todos, tendo sido, inclusive, um dos mais conhecidos “mestres puxadores” dos antigos e tradicionais Ternos de Reis, cantiga regional de origem portuguesa, muito apreciada em grande parte do litoral rio-grandense. Foi esse tio quem ensinou as primeiras notas musicais aos meus irmãos mais velhos,os quais chegaram a fazer parte dos grupos encarregados das referidas “cantorias “ nas festas de fim de ano.
Na foto a seguir, de 23.07.2004, vemos a Tia Joaquina (casaco cinza), Tia Eponina (casaco azul) e Tio Manoel (blusão preto), em festa da Família Oliveira, realizada no salão de Barro Vermelho, em Santo Antonio da Patrulha:



A extinta era viúva de Antonio Machado, com quem teve oito (8) filhos, que lhes deram 33 netos, 43 bisnetos e quatro (4) trinetos, totalizando uma prole linda e saudável de 88 descendentes, sem contar os que se originaram de mais quatro sobrinhos criados sob sua supervisão, como se fossem filhos verdadeiros.
Pelos percalços e dissabores que enfrentou durante grande parte de sua existência, tivemos na Tia Joaquina um modelo de altruísmo e resignação diante de fatos adversos, demonstrando uma extraordinária e exemplar capacidade de perdoar e distribuir seu amor de forma equânime, sem rancores ou maldades. Superou inclusive a trágica perda de um filho e de um neto muito chegados ao seu coração de mãe e avó, e, mais recentemente, assistiu a morte repentina de uma filha e de um genro, igualmente muito amados.
Embora tivesse a saúde um tanto delicada para carregar o peso de sua idade, manteve-se lúcida e tranqüila até os últimos dias de vivência, em plena capacidade de determinar-se, cercada pelo carinho e dedicação de todos os familiares, como merecia.
Sua longevidade se deve não só à graça de Deus, como também aos cuidados afetuosos que sempre recebeu dos filhos, especialmente da Suely e família, com quem vivia há vários anos.
O cortejo fúnebre se deu com grande acompanhamento, saindo o féretro da Capela Bom Jesus na cidade baixa, precedido por um piquete de cavalarianos comandado pelo filho mais velho – o tradicionalista João Machado -, percorrendo o trajeto de mais de dois quilômetros, até o Cemitério Municipal de Santo Antonio da Patrulha.
Minhas homenagens a essas estrelas brilhantes que povoaram o pequeno mundo da minha infância, quando circunscrito somente aos pilares da família, e, continuaram iluminando os caminhos para que mais tarde fosse encontrado um universo maior. Obrigado por vossas presenças entre nós.
Descansem em paz, meus inesquecíveis tios. Que Deus os tenha.
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