sexta-feira, 20 de agosto de 2010

IV Encontro

O IV Encontro da Família Oliveira foi realizado em 17 de julho de 2005, no salão paroquial da localidade de Esquina dos Morros, em Santo Antonio da Patrulha, tendo como organizadores os amados sobrinhos Henrique, Cleni e Isabel Cristina. Foi uma festividade muito bonita, inclusive, com a cerimônia de abertura feita na própria capela da comunidade.
Ao meio dia foi serviço o almoço com churrasco preparado no local, acompanhado daquela tradicional sobremesa “pra ninguém botar defeito”. Houve “contação” de histórias para a piazada, por conta da nossa querida Felícia, acontecendo, também um passeio pelas terras e açudes do Henrique, à medida que o tempo chuvoso permitiu. A festa, a que compareceram 89 familiares, culminou com a degustação de um gostoso café da tarde servido pelos anfitriões.

Na solenidade de abertura foi apresentada a saudação abaixo:

Meus queridos familiares:
Estamos reunidos, pela quarta vez, nesta fase posterior aos festejos de aniversário da grande matriarca, que, por tantos anos foi a estrela guia que nos direcionou para uma reunião anual, na Aldeia Velha, sendo ela o principal ponto de referência. Tínhamos, também, na época, a presença e a ajuda inestimável de outros três saudosos colaboradores que abrilhantavam sempre aqueles momentos com a demonstração de seus dotes artísticos. Um deles, o mais velho dos filhos, já com seus cabelos brancos, encantava a todos, cantando e se acompanhando ao violão. Outros dois, mais novos, juntamente com um neto (nosso querido sobrinho Serginho, que está aqui presente) formavam um pequeno conjunto musical, tocando e cantando para alegria da aniversariante e dos convidados. Hoje, perguntamos, onde andará aquela rapaziada guapa, que deixou tantas saudades? Se, por algum meio, tiverem notícia dessas nossas reuniões, saibam que suas vozes e alguns trechos de suas melodias ainda ecoam em nossos ouvidos, principalmente quando paramos um pouquinho para um momento de reflexão sobre a nossa própria existência.
Essas pequenas festividades que se realizavam anualmente, talvez preenchessem um pouco do vazio que por certo existia no coração da nossa inesquecível aniversariante de 15 de julho, marcado pelo desaparecimento repentino em décadas anteriores (1950, 1951, 1969), de seu parceiro e mais dois filhos muito amados que resolveram também, muito cedo, embarcarem nessa implacável carruagem que dia e noite transporta passageiros para além do horizonte, numa via de mão única, de onde alguém só consegue voltar nas asas de nossos pensamentos.
Resta, agora, tão somente cuidarmos para que se mantenha acesa essa chama que ainda conserva agrupados os membros remanescentes desta grande família, chama esta que poderá ter o nome que se queira dar: afeição, amor, amizade, simpatia, dever filial, dever maternal, etc., etc., e que possamos substituir, na medida do possível, um pouco do carisma pessoal daqueles nossos queridos companheiros, que sabiam cantar, que sabiam sorrir, sabiam contar uma anedota na hora certa, e, além do mais, demonstravam alguma intimidade com instrumentos musicais, o que por si só, já revela o grau da sensibilidade de cada um.
Deixando de lado as reminiscências dos antigos eventos e consignando nossa homenagem e nosso preito de saudade e gratidão a todos aqueles que desapareceram fisicamente de nosso meio, mas que continuam vivos em nossas recordações, passaremos a nos ocupar um pouco da vida e da obra de nosso primeiro ancestral, que desembarcou nestas paragens no dia 19 de agosto de 1883, portanto, há 122 anos. Na verdade, não tivesse existido esse patrulhense ilustre, nenhum de nós, que somos descendentes diretos, estaria em condições de contar ou simplesmente ouvir esta prosa.
Somamos hoje um total de 87 descendentes do casal tronco, graças à colaboração indispensável de outras 39 pessoas, que vieram engrandecer a família, não só em quantidade como também em qualidade através da troca de novos conhecimentos e novas maneiras de encarar a vida.
Até o presente momento, a totalidade da Família Oliveira é de 128 pessoas, assim considerada: 2 (casal fundador), 9 (filhos), 31 (netos), 43 (bisnetos), 4 (trinetos) e, 39 (genros e noras).
Ao que se sabe, nosso ancestral era oriundo de família de classe média, mas, presumivelmente, de pouco interesse pelo desenvolvimento intelectual dos seus membros, ou, quem sabe, pela dificuldade de encontrar escolas nas proximidades, uma vez que não lhe foi dada oportunidade, quando jovem, de adquirir maiores conhecimentos escolares, sendo homem que mal assinava o próprio nome, o que lhe possibilitava ser eleitor, embora deva ter feito pouco uso desse instrumento da cidadania, considerando que nosso país passou por longo período de anormalidade do processo democrático, durante sua vivência.
O detalhe da modesta escolaridade do sempre lembrado fundador desta família não o impediu de tornar-se um homem educado, ladino, de bom relacionamento e trato pessoal, perfeitamente integrado na sociedade em que viveu.
Pertencente à família numerosa ( 9 irmãos) como era praxe naqueles tempos, viveu sempre com os pais e se empregou na produção agrícola de subsistência, naturalmente vendendo os excedentes, em especial os produtos derivados da cana-de-açúcar e da mandioca, e talvez, algumas cabeças de gado, quando disponíveis. Consta que seus genitores, especialmente o pai, eram procedentes de famílias originárias dos campos de Cima da Serra, o que, também por presunção, seria São Francisco de Paula ou arredores, minúcia que poderá ser perfeitamente esclarecida numa pesquisa mais acurada que se faça sobre o assunto.
No ano de 1921, com 38 anos de idade, é que nosso herói resolveu procurar uma mocinha, dezessete anos mais nova, cuja casa distava uns 2 quilômetros da sua, e com ela,em parceria, fundarem uma sociedade sólida e duradoura que resultou no que estamos vendo neste momento.
Daí para frente, ao custo de muito trabalho, aqueles dois abnegados produziram muito melado, muita rapadura, muita farinha de mandioca, quase sozinhos, nos primeiros anos da vida conjugal, naquela meia dúzia de hectares de terra que Ihes coube por herança. Os ajudantes, num total de 10 (dos quais se criaram nove), começaram a chegar a partir do ano de 1922, um a um, com intervalo de dois anos e meio, em média, e assim foi até 1944, totalizando uma fase produtiva de 23 anos. Pena que esses ajudantes foram aos poucos abandonando o serviço, primeiro na procura de emprego melhor, cada um para seu lado, mas sempre conservando o vínculo da unidade familiar. Passado algum tempo, só Deus sabe por que, alguns foram sumindo da visão terrena, sobrando apenas quatro, que ainda estão por aqui observando o crescimento da família Oliveira, pelo menos, enquanto o Patrão Maior assim o permitir.
A convivência que tivemos com nosso pai, foi de molde a deixar claro seu interesse pelo desenvolvimento cultural dos filhos, na medida do possível. Este homem, que conhecia muito bem os limites impostos pela falta de algumas letras em certas ocasiões, não queria que nenhum filho tivesse o mesmo destino.
Sabidamente necessitado de mais um braço para lhe ajudar nas tarefas da roça, sempre se mostrava em favor da escola, abrindo mão da ajuda do filho nos serviços caseiros, a não ser quando se tratasse de uma colheita inadiável por motivo de mau tempo, etc., fora disso, sua exigência era total em relação ao aproveitamento escolar de cada um. Dizia mesmo ser essa a grande herança que gostaria de deixar aos filhos, já que poucos seriam os valores econômicos a serem transmitidos. Devemos esclarecer, entretanto, que na idade própria dos primeiros filhos, a escola mais próxima, e assim mesmo de caráter precário, era localizada no Barro Vermelho e não na Aldeia Velha, como acontece hoje.
Podemos afiançar que foi ele um cidadão de ilibada idoneidade moral, que não fumava, não bebia, tinha horror a jogos de qualquer natureza e soube muito bem repassar essas virtudes aos filhos enquanto viveu, procurando sempre evitar que algum dos descendentes se desviasse do caminho da virtude, para enveredar pelos atalhos enganosos e convidativos do vício. Foi extremamente respeitado pela seriedade em seus negócios, e podemos, sem medo de errar, afirmar que gozava de especial credibilidade entre seus vizinhos e amigos, exatamente por saber honrar "um fio de bigode".
Foi um homem que viveu para a família e o lar, e que não deixava de participar dos eventos sociais e religiosos da época, tais como, casamentos e algumas eventuais celebrações acontecidas na localidade. Também era comum que levasse a família a participar das tradicionais reuniões dançantes, divertimento costumeiro da comunidade, na época, embora não fosse muito frequente.
Outra atitude característica de nosso pai era de prestar socorro a qualquer vizinho que dele necessitasse, principalmente por motivo de doença, para isso não media esforços. Era comum que nossa casa fosse ponto de almoço e às vezes até de pousada para algum mendigo ou andarilho que dela se aproximasse. Para isso sempre arranjava um canto da velha da velha atafona (moinho de mandioca), para instalar o visitante.
Seria injusto se não consignasse aqui sua participação nos trabalhos de interesse da comunidade, como era o caso da conservação da estrada municipal da Aldeia Velha, para o que, reunia ele um grupo de moradores, para, em forma de mutirão, doar uma jornada de trabalho para o bem público, o que ocorria, geralmente, após uma enxurrada, ou quando o mato lateral ameaçava invadir o leito da estrada.
Lembro bem, porque disso eu também fiz parte, lá por volta de 1942 ou 1943, fomos numa caravana composta de várias carretas de bois, ao Rio dos Sinos, na época distrito de Santo Antonio, onde passamos a noite, regressando no dia seguinte, cuja missão foi a de transportar todo o madeiramento necessário à construção da nova escola da Aldeia Velha, o que transcorreu com êxito.
É uma lástima que esse cidadão, que criou nove filhos com tanto amor e carinho, que foi enérgico quando necessário, que vibrava com alguma vitória da família, algumas até de pequeno significado ( e quantas alegrias eu lhes dei com boas notas de escola, modéstia a parte), que invariavelmente chorava quando um filho se afastava momentaneamente de seu convívio, e que, amava tanto as crianças, não tenha tido a feliz oportunidade que temos hoje, de acompanhar o crescimento dos netos. Quando ele próprio foi compelido a afastar-se em definitivo, suas primeiras netinhas eram muito pequenas, uma com 2 anos e 5 meses e outra com apenas 8 meses e alguns dias de idade. Devemos registrar que a menorzinha, que ficara órfã mesmo antes de nascer, veio a encontrar um segundo pai muito competente, que a criou com toda dedicação e carinho, o qual merece, portanto, nossa admiração, nosso respeito e nossas preces.
Quero que saiba, meu velho amigo e patriarca desta família, esteja na dimensão em que estiver, que aquelas duas bonequinhas, logo se transformaram em duas belas jovens, e são hoje duas respeitáveis senhoras, sendo que uma, até já recebeu o carinhoso "apelido" de vovó.
Nosso relato chega assim à década de 1950, e se encerra registrando o ponto final da existência material do nosso venerado antecessor, cujo passamento se deu em 10.08.1951, 9 dias antes da data de seu aniversário, quando completaria 68 anos de idade. O fato aconteceu por conseqüências pós-operatórias decorrentes de cirurgia a que foi submetido para correção de fraturas graves sofridas ao ser atingido por sua própria carreta de bois, em acidente ocorrido dias antes na cidade de Santo Antonio da Patrulha.
Hoje, decorridos mais de cinqüenta anos desse lamentável acontecimento que veio trazer a primeira grande derrota para a Família Oliveira, quero registrar as mais sinceras homenagens ao patriarca, pai, avô, bisavô e trisavô que se chamava ADELINO GOMES DE OLIVEIRA, conhecido por “Loca Boeira” e sua grande parceira, a matriarca ANGELINA LUIZ DE OLIVEIRA, nossa inesquecível “Gila”, que formaram o primeiro par, foram a dama e o cavalheiro que não só transmitiram seu sangue e sua assinatura, como também deram a nós, seus descendentes diretos, com muito carinho, os melhores anos de suas vidas.
Por certo outros homens e mulheres muito importantes em todos os níveis, foram produzidos neste Estado na mesma época, mas nenhum deles foi maior que essas duas pessoas, às quais devemos nossa existência.
Descansem em Paz. Que Deus os tenha.
Antonio Luiz de Oliveira/jul/2005


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Liliam, Parabéns



Sábado, dia 7 de agosto de 2010, juntamente com boa parte de integrantes da Família Oliveira, tivemos a grata satisfação de assistir os atos de formatura de um grupo de alunas que concluíram recentemente o Curso Normal de Magistério ministrado pelo Instituto Estadual de Ensino – IEESA, de Santo Antonio da Patrulha. Entre elas estava a nossa querida sobrinha LILIAM GRASSMANN DE OLIVEIRA, filha do saudoso irmão João Francisco de Oliveira e Ivone Grassmann de Oliveira.

Tivemos oportunidade de presenciar uma belíssima solenidade, extremamente bem organizada, que aconteceu no Salão de Convenções Qorpo Santo, na Cidade Baixa, contando com a presença de várias autoridades educacionais e políticas do município, além de um grande número de familiares e convidados.

Logo após a diplomação das novas professoras e encerramento dos trabalhos, nos reunimos num dos restaurantes da localidade para uma confraternização pela brilhante conquista da Liliam, mercê de seu próprio esforço. A festividade prolongou-se até por volta da meia noite.

Queremos, mais uma vez, parabenizar a jovem Professora Liliam, reconhecendo sua abnegação em prol do objetivo que acabou de alcançar, e, rogando a Deus que a abençoe e permita possa galgar muitos outros degraus de progresso em sua vida, para alegria de toda a nossa grande família. Beijos para você, querida.

Para visualizar algumas das fotos obtidas na ocasião, basta clicar nesta que aparece abaixo:
2010-08-Agosto-Formatura Liliam